504 no CloudFront com VPC Origin: o diagnóstico errado da IA
Ao tirar o VPC Origin do CloudFront e apontar a origin direto para o load balancer, a aplicação de um cliente passou a devolver 504 Gateway Timeout. Pedi a um agente de IA para investigar: ele culpou o certificado, e a causa era outra, na rede. Abaixo está o diagnóstico dele, o que eu conferi para descartá-lo e a correção que resolveu.
A aula foi gravada em 22 de dezembro de 2025 e o cenário é de um cliente da minha consultoria.
O cenário: CloudFront, VPC Origin e load balancer em subnet privada
No início de 2025 eu tinha implantado o VPC Origin para um serviço desse cliente. Ele é o mecanismo que faz o CloudFront acessar o Application Load Balancer de forma privada: ao criar o VPC Origin, nasce uma interface de rede dentro da subnet onde está o load balancer, e a comunicação acontece ali dentro. Por isso o load balancer pode ficar numa subnet privada. Para ver a criação do VPC Origin do zero, veja Load balancer sem IPv4 público.
O desenho do cliente:
- o usuário faz a requisição ao CloudFront, que tem a origin do VPC Origin e outras, como uma que aponta para o S3;
- o VPC Origin leva até o load balancer, na subnet privada;
- o load balancer fala com uma EC2 da aplicação, que roda no Elastic Beanstalk;
- uma route table com NAT Gateway dá saída para a internet, para a EC2 se registrar no Beanstalk;
- a EC2 fala com o RDS, numa subnet privada de banco.
O problema: o 504 ao trocar a origin pelo load balancer
O cliente precisou desativar o VPC Origin. O VPC Origin tem limitações, e uma delas, até o momento da aula, é não trabalhar com WebSocket. A aplicação do cliente ia mudar e passar a usar essa tecnologia.
Eu precisava então fazer o tráfego ir direto do CloudFront para o load balancer. Cada vez que eu trocava a origin pela do load balancer, vinha o erro: 504, Gateway Timeout.
O que a IA diagnosticou
Tenho um agente de IA focado em DevOps nesse cliente. Dei o contexto, disse onde estava a distribuição, qual endpoint eu queria acessar e qual estava com problema, e pedi uma investigação de ponta a ponta do 504.
O diagnóstico veio com o certificado SSL como emitido e em uso, e com um "problema identificado": mismatch de domínios. Na leitura dele, o load balancer tinha certificado para o domínio do cliente, mas o CloudFront tentava acessar pelo endereço do Beanstalk. A origin estava configurada com esse endpoint, e isso não é problema: o endpoint do Beanstalk é direcionado ao load balancer.

Ele propôs três caminhos:
- usar HTTP na origin problemática, com
OriginProtocolPolicyemhttp-onlye a porta 80; - adicionar um certificado para o domínio do Beanstalk;
- usar um CNAME correto, apontando para o ambiente do Beanstalk.

Se eu tivesse mandado "resolva para mim", ela começaria a trocar essas coisas: tirar certificado de um canto, mexer em outro, e depois reverter ficaria mais complicado.
1Peça o diagnóstico antes de deixar a IA mexer
Foi o que me salvou. Hoje, sempre que uso IA para qualquer coisa, peço que ela investigue, me dê um diagnóstico e diga o que pretende fazer. Pergunto: o que você pensa em fazer sobre essa problemática? Só depois decido o que executar.
Os três caminhos chegaram como proposta, e eu pude lê-los antes de qualquer mudança.
2Descarte o que a IA apontou
Eu sabia que o problema não era o certificado. Verifiquei:
- o certificado do Certificate Manager estava associado ao CloudFront e ao load balancer;
- o security group do load balancer aceitava o tráfego do CloudFront, com um prefix list configurado;
- o load balancer tinha IPv4 público: eu não o tinha trocado para interno, e o mantive internet-facing para o cliente poder reverter, se quisesse.
Com isso, as três soluções da IA saíam da mesa. Trocar para HTTP porque a porta HTTPS "não está acessível" e começar a injetar recursos era só bagunçar a infraestrutura.
3Siga o caminho na rede
Sem certificado e sem security group como culpados, olhei para o desenho. O load balancer estava numa subnet privada, então olhei para a route table dela.
A saída para a internet existia, por um NAT Gateway. A entrada não: nessa route table não havia internet gateway. Um fluxo de saída, sem fluxo de entrada.
4Mover o load balancer para a subnet pública
A correção foi simples depois de enxergar o problema: trocar o load balancer da subnet privada para a pública e tirar o apontamento do VPC Origin. Com o load balancer público, o apontamento do VPC Origin deixa de existir e a aplicação passou a funcionar.
O caminho depois da troca:
Quem responde pela revisão
Eu quis ter clareza sobre a AWS para saber onde estava o problema e usar a IA só para ganhar velocidade em algo que domino. No re:Invent 2025, o CTO da Amazon disse que o papel de quem constrói não é mais criar código, a parte executiva, e sim revisar. No meu caso, pedi à IA que me dissesse o que faria. Quando vi que não era compatível com a solução, fui lá e fiz eu mesmo.
Quando a IA faz o trabalho por você, você continua dono da atividade e responsável pela revisão. Dizer "foi a IA que errou" não transfere a responsabilidade. Por isso eu repito: dominar a AWS vem antes de dominar a IA. Ela é mais uma ferramenta no seu arsenal, e potencializa o trabalho de quem já sabe o que está operando.
Checklist
- Ao pedir ajuda à IA, peça primeiro o diagnóstico e o que ela pretende fazer, sem executar.
- Leia cada caminho proposto e confira se ele tem relação com o sintoma antes de aceitar.
- Confira o certificado no CloudFront e no load balancer.
- Confira se o security group do load balancer aceita o CloudFront, pelo prefix list.
- Em subnet privada, olhe a route table: saída por NAT Gateway não cria entrada da internet.
- Se o load balancer precisa receber do CloudFront sem VPC Origin, ele fica na subnet pública, com a entrada restrita ao CloudFront.
- Se for usar VPC Origin, confira as limitações atuais na documentação oficial, como o suporte a WebSocket.
Se você quer praticar esse tipo de diagnóstico em desafios de CDN, load balancer e pipeline, é o que a Formação AWS faz toda semana, com casos de mercado.
O que os alunos dizem

“A Formação AWS me deu segurança técnica para voltar ao mercado e ser a escolha certa para a empresa.”
Flávio Lucena, Gestor de TI
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“Depois do layoff, percebi que o mercado exigia AWS e eu não sabia nem por onde começar.”
Gisele, Desenvolvedora Java Sênior
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“A metodologia da Formação AWS mudou tudo pra mim. Foi ela que consolidou meu conhecimento, me deu segurança e me levou a conquistar a vaga de Engenheiro de Cloud dentro da minha própria empresa.”
Harnon Ramalho, Engenheiro de Cloud
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