# Queda da AWS em us-east-1: o que vi e como mantive o serviço

> Na queda de 20/10/2025 em us-east-1 não dava para lançar EC2. O que vi na minha conta, as lições e por que levei o serviço para Ohio.

- Autor: Henrylle Maia, consultor AWS
- Publicado em: 2026-10-15
- Assuntos: Rede, Segurança
- URL: https://pages.formacaoaws.com.br/blog/queda-da-aws-us-east-1-como-manter-o-servico-no-ar/
- Aula de origem: "AWS CAIU e agora? Entenda o que aconteceu nessa queda da AWS de 20 de Outubro de 2025" (https://www.youtube.com/watch?v=3tVEtpfqZBg)

Em 20 de outubro de 2025 a AWS teve uma falha na região da Virgínia (us-east-1) e boa parte da internet saiu junto. Conto o que vi na minha conta, por que "alta disponibilidade" não bastou e como mantive o serviço no ar levando parte dele para a região de Ohio.

## O que caiu, e o que não caiu

A pergunta que mais apareceu foi se a AWS inteira tinha caído. Não: o problema estava na região da Virgínia. A AWS tem várias regiões, e o que eu vi na minha conta foi um padrão específico.

Os recursos que já estavam rodando continuaram funcionando. O que falhou foi **lançar recurso novo**. No meu cluster no ECS eu tinha cinco servidores; dois estavam de pé e três estavam fora, porque tentavam lançar novas instâncias EC2 e não conseguiam.

![Lista de instâncias da minha conta na Virgínia durante a queda: uma t3.micro em Running, com 3/3 checks passed, e oito t3a.micro paradas em Pending](https://pages.formacaoaws.com.br/blog/assets/posts/queda-da-aws-us-east-1-como-manter-o-servico-no-ar/ec2-pending-na-virginia.webp)

Eu trabalho com instâncias Spot, que a AWS pode tirar de tempos em tempos para eu lançar outras no lugar. Naquela manhã, essa troca dependia de lançar EC2, e lançar EC2 estava falhando.

## Por que alta disponibilidade não resolveu

"A AWS não é altamente disponível? Você e as outras empresas não deveriam estar protegidos?" Deveriam, e provavelmente estavam. Só que o problema não era de alta disponibilidade entre zonas.

O relatório oficial da AWS descreve uma interrupção do Amazon DynamoDB na região us-east-1: [Summary of the Amazon DynamoDB Service Disruption in the Northern Virginia (US-EAST-1) Region](https://aws.amazon.com/message/101925/). Na leitura que eu fiz durante o incidente, a AWS consome os próprios serviços. Com o DynamoDB provavelmente no centro da comunicação entre vários serviços na Virgínia, o efeito mais visível foi a dificuldade de lançar recursos novos.

Já tinha acontecido algo parecido com o S3, em 2017 ou 2018: recursos existentes funcionaram, os novos não, e até a página de status da AWS tinha problema, porque dependia do S3 na Virgínia.

Em paralelo, a AWS limitou o lançamento de EC2. Quando eu tentei lançar uma instância na mão, o console recusou com um erro de limite de requisições excedido (*request limit exceeded*). O bloqueio estava na minha conta e, ao que tudo indicava, de forma global, para as pessoas pararem de bater na API de lançamento enquanto o problema era resolvido.

![Banner vermelho do console: "Instance launch failed. Request limit exceeded", a conta (número tarjado) foi limitada em ec2:RunInstances, e o launch log marca Failed](https://pages.formacaoaws.com.br/blog/assets/posts/queda-da-aws-us-east-1-como-manter-o-servico-no-ar/request-limit-exceeded.webp)

> **Importante:** muita gente ficava tentando lançar a EC2 até dar certo, e não dava. Se o seu serviço depende de substituir instâncias, ele estava preso nesse ciclo.

## O que ficou fora do ar

Minha arquitetura é simples: CloudFront na borda, um Application Load Balancer com target groups e um cluster ECS com várias EC2 e vários serviços. Dois serviços entram na história: a aplicação Bia e um WordPress.

A instância do WordPress caiu de manhã e não voltou, porque não dava para lançar outra. O WordPress ficou fora do ar, e era a página onde eu ia abrir as inscrições de uma campanha. A Bia continuou operando.

![Na VPC da Virgínia, o ALB distribui para o cluster ECS: a EC2 da bia está de pé e a do wordpress está riscada com um X; as duas ligam ao RDS](https://pages.formacaoaws.com.br/blog/assets/posts/queda-da-aws-us-east-1-como-manter-o-servico-no-ar/wordpress-fora-no-cluster.svg)

## A decisão: replicar só o que caiu

O raciocínio foi este. Problema de API numa região afeta o lançamento de recurso em toda a região. O que já estava de pé continua funcionando e volta ao normal quando a AWS resolve. O que eu precisava era trazer de volta só o que tinha caído.

Então escolhi replicar apenas a estrutura do WordPress em Ohio (us-east-2). O serviço da Bia ficou onde estava, porque operava normalmente. Eu tenho um agente de IA especializado em DevOps que conhece a minha conta; expliquei cada camada do que queria e ele replicou a estrutura em cerca de 20 minutos.

O banco ficou na Virgínia, e a ligação entre as regiões foi um VPC peering. Replicar o banco deixaria os dados separados, e liberá-lo como publicamente acessível trocaria um problema por outro, de segurança, muito mais grave. O banco continua sempre em subnet privada: nunca mexa nisso para resolver uma queda.

![As duas regiões lado a lado: em us-east-1, a bia de pé e o wordpress riscado; em us-east-2, um ALB e um ECS com o wordpress, ligado por linha pontilhada ao RDS que ficou na Virgínia](https://pages.formacaoaws.com.br/blog/assets/posts/queda-da-aws-us-east-1-como-manter-o-servico-no-ar/wordpress-em-ohio-banco-na-virginia.svg)

No fim, o CloudFront passou a mandar o tráfego do WordPress para o balanceador de Ohio, sem mexer no DNS. A aplicação voltou a funcionar por inteiro, parte na Virgínia e parte em Ohio, mesmo sem eu conseguir lançar uma instância na Virgínia. O passo a passo (balanceador, ECS, troca de origem e peering) está em [Multi-região na AWS com CloudFront](https://pages.formacaoaws.com.br/blog/multi-regiao-na-aws-com-cloudfront/).

**Fluxo:** Queda (EC2 não lança na Virgínia) → Decisão (replicar só o que caiu) → Ohio (WordPress sobe lá) → Banco (segue na Virgínia, privado)

## O que levar disso

Não é conteúdo introdutório: pede conhecimento prévio de AWS, em especial VPC, conectividade e CloudFront. Mas o ponto vale para qualquer um:

- Queda de região não é fim da nuvem. Quem tem região alternativa e as ferramentas para usá-la sai do problema.
- Cliente não espera a AWS voltar. Se não compra de você, compra do concorrente.
- Não adianta decidir a saída durante o incidente. Ter a estrutura de recuperação de desastre pensada antes é o que reduz o tempo fora do ar.
- "A AWS caiu na Virgínia" é diferente de "a AWS caiu". Entender o que aconteceu evita decidir por boato, como largar a nuvem ou voltar para um servidor próprio.

Eu só descrevo o que fiz no meu projeto. A sua arquitetura pode pedir outra solução.

## Checklist

- Confira se o seu serviço depende de lançar recurso novo (EC2, instâncias Spot) numa região só.
- Decida quais serviços precisam de uma cópia em outra região e quais podem continuar onde estão.
- Mantenha o banco em subnet privada, sempre.
- Tenha a estrutura de recuperação de desastre pensada antes da queda, não durante.

Uma queda como a de 20 de outubro de 2025 é um teste da sua arquitetura. Se o seu serviço ficou fora, vale usar o incidente para montar a estratégia de recuperação antes da próxima.
